A Garota Dinamarquesa: Por uma perspectiva de amor!

Quem fala hoje aqui é o amante por cinema, compulsivo por filmes, que muitas vezes vara a noite vendo filmes e seriados. Nunca falei disso assim publicamente, mas hoje é por uma boa causa! Unindo-se a essa parte, está também o Leonardo, homem trans que acabou de ver um filme de amor, que me deixou muito, mas muito emocionado!

Vi várias críticas ao filme e sei que ele contribui e naturaliza diversas questões, inclusive em alguns diálogos que reforçam o lugar normativo da mulher na sociedade, que passa uma imagem de separar profissões por gênero, que até patologiza a transgeneridade na busca por um corpo cisgênero. E em demais situações que não escrevi aqui. Sei disso tudo, estavam lá o tempo todo, e sim eu vi tudo isso.

Mas, sou um homem sensível e me encantei por Lili, pela trajetória que é contada no filme. Sabemos que o filme é inspirado em fatos reais da vida de Lili, isso quer dizer que é uma ficção que contém algumas partes reais. É um mesclo de realidade e ficção. Li algo sobre a Lili ser uma pessoa intersexual e isso também não foi abordado no filme. Até porque naquela época, nem se usava a palavra transgênero ou transexual, o que foi usado foi “estudo científico sobre imoralidade sexual”, quanto mais intersexualidade. Parece que a percepção de que ela tinha ovários atrofiados e que poderia ser uma possível pessoa intersexual só se deu anos depois.

Gostei da maneira como Lili usa para se referir a transição: “o médico está me curando da doença do disfarce”. Achei bacana! É mesmo um disfarce, não apenas pra nós, mas para todas as pessoas que olham e nos vêem, mas só a gente sabe quem a gente é, só a pessoa trans sabe quem ela é verdade. Lili apenas queria se ver livre da farsa que vivia.

Achei o roteiro bom e sensível, mostrando como Lili construiu sua feminilidade. Mesmo que antes de tudo já dava pra perceber o quão feminina Lili era, mesmo de terno. Fotografia muito bonita e o cenário também. Tem a direção de Tom Hooper (vencedor do Oscar de melhor direção em O Discurso do Rei e Os Miseráveis), belíssima atuação de Eddie Redmayne fazendo Lili Elbe (vencedor do Oscar de melhor ator em A Teoria de Tudo) e da excelente Alicia Vikander no papel de Gerda Wegener.

Mesmo tendo esse viés mais normativo do que é a transexualidade, pra época (1926) acredito que se fosse feito de outra maneira poderia ficar falso. Mas, poderia ter desconstruído algumas naturalizações, como a personagem de Alicia Vikander fez. Gerda, não era uma mulher do seu tempo, estava além e questionava algumas ações padronizadas e fez isso até com Lili. Mas, em contraponto, o fato de Lili estar ali fazendo a adequação naquela época já é algo bem desconstruído.

Focando no que quero realmente dizer sobre o filme, fiquei com a impressão de ter visto um filme de amor que contava a história de uma pessoa trans e de como se dava esse processo pelo sentimento, o amor do casal e a descoberta. Vi também amor para com Lili de outras pessoas. Do médico que a operou, de Hans (o amigo que retorna) que pra Lili foi seu primeiro amor de infância, de Henrik onde Lili encontra um amigo para conversar. E claro em Gerda, que ficou ao lado de Lili o tempo todo, e pra mim, foi por amor! Não foi por outro motivo a não ser por amor. Uma mulher na situação dela e vivendo naquela época poderia ter deixado Lili. Gerda foi também de um amor para com Lili muito puro, real e sensível. Inclusive querendo mostrar que Lili e Einar poderiam ser a mesma pessoa e que a adequação dela não fez o amor que ela sentia morrer. E Lili a amou por ter apoiado e por lhe ajudar em todo o processo. Eu vi amor, delicadeza, sutiliza num filme com ótimas interpretações e uma história que marcou e se tornou referência.

Talvez o livro seja melhor, como sempre é em relação a filmes. Mas, nesse aqui, eu já gostei do vi, pois o que me marcou foi o carinho, o gesto… Foi o amor!

mais textos em transliteracao.com.br

Gostou do texto? Divulgue entre os seus amigos! Obrigada!
no facebook | no google+

//

1 comment

Deixe uma resposta