A Esfinge

Leila Dumaresq

Meu corpo era esfinge faminta que parou minh’alma em sua viagem:

— Decifra-me ou a devoro: Quem é você?

A alma parou diante do enigma:
O repouso engendrou o silêncio.
O silêncio ensinou a contemplação.
A contemplação mostrou o mundo, que estava repleto de dor.

Ao sentir dor, sofri.
O sofrimento avivou a fúria.
A violência consumiu só a alma porque a dor, esta pertence ao mundo.

Exausta, entreguei-me à dor e deixei as lágrimas lavarem meu coração.
Enfim entendi que a compaixão é a verdade da dor.
Neste sentimento encontrei esperança, olhei para frente e vi-me no espelho da existência.
Ele mostrava que alma e mundo são apenas o reflexo um do outro.
Senti coragem, olhei para trás e vi apenas o caminho que percorri;
Compreendi o enigma:

— Assim como o raio é um caminho no ar e o rio é um caminho na paisagem, eu sou um caminho na vida.

Finalmente, o corpo fez-se meu e tornei-me uma.
A esfinge ainda existe. Pacata, mas provocadora.
Só mantém o velho hábito impertinente de perguntar a todas as almas que encontra:

— Quem é você?

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